Esquecido na Noite
Já escutei diversas vezes “Você precisa ficar feliz!”, ” Vai passar” ou isto ou aquilo. Eu sei que vai passar. Eu sou feliz. Mas eu quero sentir a tristeza que me abate, olhar o amor que já passou e saber que ele não vai voltar. Quero ficar triste por isso. Quero me acostumar.
Quero passar um tempo em claro no cama pensando… Não no que podia ser - pensava nisso antes - mas no que será, no que serei? Questionando meus erros. Me torturando pelos meus tropeços. Indagando minha dúvidas. Me perguntando, sem saber a resposta, o porque continuo me perguntando.
Mas me parece que sei a resposta, quero passar um tempo me perdendo na noite, me esquecendo na madrugada, acordado, me imaginando a andar pelas avenidas vazias, a entrar nas lanchonetes quase-fechadas, a cantar minhas tristezas nas ruas sozinhas e me esquecer de quem eu sou, dos meu erros, dos meus acertos, das minha qualidades e e dos meus defeitos.
De ter o prazer de um anonimato solitário na noite, como a imagem de um sujeito vestido com palitó e chapéu a contra luz, de poder imaginar meus diversos futuros, quem sabe até ser o tal homem com o tal chapéu a andar pela fresca brisa da noite nas ruas vazias, vergando um terno, a conversar com os amigos em voz alta, porque não?
Quando o sol ainda não nasceu, o alarme me acorda. Eu acordo sem querer ser mais ninguém além de quem eu sou, a tristeza do abandono parece ir embora aos poucos como a neblina que some quando o sol aparece. Percebo aos poucos como gosto do meu próprio cabelo bagunçado, da minha fala do elaborada, da minha voz e até da minha mente do embaralhada.
Mas ainda sinto num cantinho da minha alma aquela tristeza, aquela saudade, vai passar assim como aquilo que faz falta passou. Me conformo com os fato que as boas memórias estão comigo. Percebo que aprendi com ela, a pessoa que foi embora, muito mais do que com sua ída. E com meu chapéu no peito e minha fala elaborada me questiono se agradeço a ela ou a essa vida atrapalhada?