"Algumas vezes para ver a luz é preciso ter caído, estar no chão. Mas para ir atrás desta é preciso levantar e correr. Talvez tropece no escuro e caia de novo, mas ai você irá olhar para cima e ver que você estava mais perto que antes. Não tenha medo do escuro, não se assuste com a solidão, não deixe que o silêncio aterrorizante vindo da escuridão te sufoque e paralize no lugar. Ponha um sorriso no rosto - mesmo que ninguém veja - e siga frente sabendo o que você busca."

Luís P.

Um pouco de prosa inacabada e inomeada

     O sol se pôs. Seus últimos raios de luz já morreram. A noite predomina sobre a cidade e diferente de outros dias suas luzes não parecem tão brilhantes nem tão fortes, as nuvens que ocultam o céu noturno parecem abafar a o brilho. A temperatura baixa cria uma umidade que traz uma discreta neblina na cidade.

    O sol já se pôs a muito, mas a muito mais horas naquele dia o homem já queria ter se esquecido. Se alguém o pergunta-se do que ele queria se esquecer, a resposta dele seria “De mim…”. Na madrugada o homem pediu mais uma dose no balcão do bar, qualquer observador um pouco atento notaria uma raiva contida nos gestos do sujeito, em como, após fazer mais de uma dúzia de ligações, ele desligou o celular num movimento repentino.

     Ele sabia que essa noite seria uma das longas, nenhum amigo seu estava disponível para conversar por um minuto, imagine para sair com um velho amigo! E mais de uma vez nas ligações não fez sequer o convite ou até desligou a ligação na cara do interlocutor para não te-lo que escutar nem por mais um instante. “Um ’não’ basta, não preciso de desculpas.”.

    Na hora seguinte ele não chegou a perder o número de vezes que pediu ao barman para encher seu copo, ele só esqueceu. Depois de conversar com um número de estranhos e estranhas e concluir que nenhuma deles (E principalmente delas) era capaz de faze-lo se esquecer de si, saiu.

   Frustrado e irritadiço andava sozinho na rua, por qualquer observador seria caracterizado como um vulto elegantemente vestido…

[To be continue]

"As pessoas vivem como se nunca fossem morrer. Isso chega me assustar… De tempos em tempos eu me pego num antigo costume de observar o pôr-do-sol, de me deixar absorto pela vinda da noite, de apreciar, degustar as cores como uma bebida a ser apreciada aos poucos lentamente, como se fosse meu último por-dol-sol e eu me pergunto “Se este fosse meu último pôr-do-sol?"

Luís P.

Esquecido na Noite

Já escutei diversas vezes “Você precisa ficar feliz!”, ” Vai passar” ou isto ou aquilo. Eu sei que vai passar. Eu sou feliz. Mas eu quero sentir a tristeza que me abate, olhar o amor que já passou e saber que ele não vai voltar. Quero ficar triste por isso. Quero me acostumar.

Quero passar um tempo em claro no cama pensando… Não no que podia ser - pensava nisso antes - mas no que será, no que serei? Questionando meus erros. Me torturando pelos meus tropeços. Indagando minha dúvidas. Me perguntando, sem saber a resposta, o porque continuo me perguntando.

Mas me parece que sei a resposta, quero passar um tempo me perdendo na noite, me esquecendo na madrugada, acordado, me imaginando a andar pelas avenidas vazias, a entrar nas lanchonetes quase-fechadas, a cantar minhas tristezas nas ruas sozinhas e me esquecer de quem eu sou, dos meu erros, dos meus acertos, das minha qualidades e e dos meus defeitos.

De ter o prazer de um anonimato solitário na noite, como a imagem de um sujeito vestido com palitó e chapéu a contra luz, de poder imaginar meus diversos futuros, quem sabe até ser o tal homem com o tal chapéu a andar pela fresca brisa da noite nas ruas vazias, vergando um terno,  a conversar com os amigos em voz alta, porque não? 

Quando o sol ainda não nasceu, o alarme me acorda. Eu acordo sem querer ser mais ninguém além de quem eu sou, a tristeza do abandono parece ir embora aos poucos como a neblina que some quando o sol aparece. Percebo aos poucos como gosto do meu próprio cabelo bagunçado, da minha fala do elaborada, da minha voz e até da minha mente do embaralhada.

Mas ainda sinto num cantinho da minha alma aquela tristeza, aquela saudade, vai passar assim como aquilo que faz falta passou. Me conformo com os fato que as boas memórias estão comigo. Percebo que aprendi com ela, a pessoa que foi embora, muito mais do que com sua ída. E com meu chapéu no peito e minha fala elaborada me questiono se agradeço a ela ou a essa vida atrapalhada?

"Chega um momento que sua mente afunda, a pressão te submete. E você que você deveria apagar, “blackout”, mas não. Seus olhos continuam abertos. Você ainda sente o coração pulsando, com a estranha sensação de estar vivo, mas vazio. Você parece ter esquecido quem realmente você é… assim tão vazio, sem nada. Ai você percebe que você surta. Simplês assim. Velhos habitos voltam, sua cabeça pulsa, as ideias voam e você não sabe se você é você ou se você simplesmente se perdeu ainda mais nas brumas densas dos pensamentos confusos…"

Luis P.

     Um dia aprendi que o inesperado tinha vantagem sobre o esperado. Neste mesmo dia, através de um livro, descobri que existia uma diferença entre fazer algo inesperado e ser inesperado. Fazer algo inesperado é tanto quanto simplês. Mas eu criei interesse no ser inesperado, em tranformar o inesperado em algo presente, mas sem perder seu próprio sentido ser, sem perder seu estigma, sem perder sua elegância de nunca se saber quando irá acontecer. Uma boa dica de como fazer é simplês:


Seja você. 

Perdido na Noite

Perdi o meu sono pela madrugada,

talvez eu esteja como ele, perdido.

Minha alma [no escuro] foi apunhalada,

sangra no chão meu espirito ferido.

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Minha mente gira, sem sentido

retido, não sei para onde ir 

não sei se devo sorrir

escrevo em busca de meu sonho perdido.

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Terei enlouquecido?
Meu futuro me parece tão desconhecido.

Me pergunto se o sol há de raiar?

E se a noite há de terminar…? 

Assinado Luís P.

"Tem vezes que, eu a noíte, espero que as pessoas perdoem alguns dos meus pecados. Porque talvez eu não consiga me perdoar deles, mesmo eles sendo necessários…"

(Luis P.)

O futuro… Ah o futuro…

      Sabe quando você fica remoendo um assunto? Pode ter aparecido numa conversa entre amigos, num texto, numa carta, naquela noite de insonia… Não importa muito da onde ele veio, o interessante é que ele ficou, no meu caso quase todas as vezes é o futuro, eu fico remoendo o futuro como um cão mordisca um osso e novamente como um cachorro eu persigo a ideia de saber sobre ele [O futuro] como um cão segue um carro, ele não sabe o que fazer se ele pegar um.

     Eu me pergunto se amanhã será meu último dia, se agora quando eu olho para a lua no céu noturno e sinto a brisa fresca na minha cara, será a última vez que eu olho para ela assim e sabe de uma coisa?

     Talvez seja, eu acabei notando que isso não importa. Não me pergunte qual será o último dia, a última canção, a última briga, a última gota de sangue a cair e as últimas palavras. Não me pergunte! Porque tão bem quanto eu, é provável que você não vá gostar. Nós saberemos quando for. Não se pergunte as mesmas perguntas que  eu, são perguntas sem resposta. É como caçar fantasmas numa sala cheia de espelhos, as respostas estão em todos os lugares, todos os fantasmas são possivelmente reais até que só um se torna real.

    Viva, aproveite o agora. Ele se chama “presente” porque ,como alguns já dizeram, ele é uma dádiva. Trate-o como tal. Não estou lhe dizendo como viver. Não estou lhe dizendo para viver sem errar ou errando todos os erros, nem estou lhe dizendo para fazer loucuras ou não o faze-lo, muito menos estou lhe dizendo que você deve dar valor a vida. Eu não o mandei fazer nada nesse texto, eu só peço à você meu caro leitor/leitora a talvez tomar este texto como um conselho, de um amigo talvez.

"Ou nós encontramos um caminho, ou abrimos um."

(Aníbal)

"Que o cansaço me leve para o reino dos sonhos, onde as decisões e mudanças não estão ao meu cargo, onde as pressões não tentam me esmagar, quero que minha mente flutue pela janela e vá com a brisa e que não se faça notar, até o sol raiar."

Luís P.